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Ao longo de mais de 80 anos da nossa existência, temos como único objectivo oferecer a todos os Portugueses da comunidade, um local de convívio. Tudo faremos para que todos, sem excepção, se sintam bem-vindos a casa de todos nós. 

QUEM SOMOS

© 2018 PHILADELPHIA PORTUGUESE CLUB

HISTORIAL - Os Primeiros 50 Anos

Tirado do livro “50 Anos de Historia do Philadelphia Portuguese Club 1935 - 1985”

A HISTORIA DE PORTUGAL

Historia de Portugal - Volume I - Das Origens à Revolução - 1245-1248 - Canal História pelo prof. José Hermano Saraiva

José C. Tavares e família, primeiro Presidente de Direcção e principal Fundador do P.P.C.

1.1 Dados sumários da História do Philadelphia Portuguese Club 


A história dos povos define-se através deles mesmos, com seus defeitos e suas 
virtudes. 


A história do Philadelphia Portuguese Club define-se através da massa humana 
inserida nesse mesmo povo e que aqui se subentende por associados. 


Embora tenhamos conhecimento da existência de portugueses emigrantes, nesta 
cidade de Philadelphia desde há longos anos, a primeira estatística oficial é-nos fornecida pelo Consulado de Portugal em Philadelphia e refere-se aos anos de 1930, mais precisamente, ao dia 26 de Julho, em que se encontravam registados 1346 portugueses, sendo 134 naturalizados americanos. 


Este número estava distribuído pelas comunidades de Philadelphia, Scranton, 
Marcus Hook e Erie. Sabia-se da existência de portugueses noutras localidades, cuja identificação não foi possível, pois que muitos deles não se inscreviam no Consulado. 


Nesse tempo, já bastantes portugueses se encontravam estabelecidos, cerca de 
22 casas de comércio diverso. Também se sabia dos ordenados auferidos nos anos 30, que rondavam a média mensal de $70.00 (setenta dólares). 


Devido à crise que assolava os Estados Unidos, foi este um tempo bastante difícil, tendo por essa razão muitos portugueses regressado a Portugal enquanto que 
outros se deslocavam para vários Estados à procura de melhores condições. 
E, assim, no ano de 1935, em parte devido à crise e ao isolamento dos Portugueses que por cá se encontravam, cerca de 110 Portugueses emigrantes movimentam-se e organizam piqueniques e pequenas festas familiares, para "matar" saudades do sempre saudoso Terreno Pátrio. E neste ambiente familiar

que nasce a ideia de se fundar uma associação portuguesa. Tal como uma bola de neve, começa a tomar forma e avolumar-se a ideia e, assim, pelas mãos de 45 homens de rija têmpera, homens saudosos da sua e nossa Pátria, homens de antes quebrar que torcer, homens dignos da Raça Lusitana, que não querendo olvidar os seus usos e costumes, se unem nesse forte ideal, para fundarem, no dia 22 de Dezembro de 1935, esta agremiação, que tem sabido, ao longo dos seus 50 anos de existência, trilhar o caminho do bem, do progresso e, fundamentalmente, do preservatismo da nossa cultura, tal como nos transmite, para os dias de hoje, um pequeno livro do ano de 1936, cujo título é: ORDEM DOS TRABALHOS NAS REUNIÕES - Iniciação de Sócios, que nos diz: 

- Ao filiar-vos no Philadelphia Portuguese Club, demonstrais não só a vossa solidariedade com os vossos compatriotas como ainda o vosso desejo em contribuir para o agradecimento e bom nome da Colónia Portuguesa de Philadelphia, e também para que esta organização Portuguesa possa continuar a manter nesta cidade, entre os nacionais, como entre os membros de outras raças, o nome honrado e honesto dos filhos de Portugal. 


O aparecimento desta Associação Portuguesa foi o primeiro passo para a identificação dos portugueses nesta grandiosa cidade de Philadelphia, antiga capital e a 4.a cidade mais populacional dos Estados Unidos da América do Norte. 

 

As folhas amarelecidas pelo inexorável passar do tempo, dos livros onde se insere toda a vida da colectividade, dão-nos conta do que foi a titânica luta desses heróis, quais valentes marinheiros, para levarem a bom porto a barca conduzida por  seus possantes braços. 

 

Ao longo da  sua vida, toda ela dedicada ao constante bem-estar de todos aqueles que fazem dela a sua segunda casa, e nunca esta expressão foi tão verdadeira, bastando para tal atentar no facto de que para além da finalidade já referida, ter esta colectividade papel de grande preponderância na ajuda aos portugueses emigrantes que chegavam a esta cidade, sem o mínimo de conhecimentos e que procuravam, 
no Clube Português, os primeiros contactos para a sua orientação, e também na ajuda a muitos jovens, filhos de emigrantes que se alistaram no exército Americano e cujos pais tinham regressado a Portugal nos difíceis anos da Segunda Guerra Mundial, tendo servido de elo de ligação para as suas notícias ou outros contactos, inclusivamente o de alojamento para os que não tinham famílias, organizando-se para tal grupo d de socorros às vítimas da guerra, dizíamos nós, portanto, que, ao longo da sua vida, várias fases houve em que nem tudo foi um mar de rosas, mas quanto mais difícil a vitória é, mais saborosa ela se torna. 

 

Assim, e narrando cronologicamente os factos que deram existência a esta colectividade, foi a sua primeira sede situada numa pequena sala no número 730 Sul da Third Street, mudando pouco depois para o número 731 da mesma rua. 

No ano de 1938, foi a sede mudada para o número 620 Sul da Second Street, na qual se manteve até 1946, por consequência ali tendo estado durante 8 anos. 

 

No já referido ano de 1938, teve à sua responsabilidade todo o programa de recepção, na primeira visita oficial à Comunidade Portuguesa, pelo mais alto Magistrado Português nos Estados Unidos, Ministro João Bianchi. 

 

Devido a vários factores aos quais não são estranhos o enfraquecimento, em número, da massa associativa, houve necessidade de mudar a sua sede para uma pequena sala no número 736 da Third Street, até se encontrar lugar mais adequado. 

 

No ano de 1948 e depois de terem falhado as negociações para a compra de um terreno na Second Street, onde se poderia edificar a nova sede, aparece à venda o edifício de uma Sinagoga, na Third Street (próximo da Fitzwater Street) e aí renasce de novo grande entusiasmo entre os seus poucos associados, que se contavam na ordem de 25 a 30 chefes de família, para se adquirir o imobiliário em questão, cujo custo se elevava a mais de oito mil dólares, mas que necessitava de várias obras e consequentes modificações, que orçariam em mais alguns milhares de dólares. 


Organizam-se várias comissões nessa época para contactarem os portugueses não só em Philadelphia como também em Marcus Hook e Penar Grove, N.J., para se obterem empréstimos e dádivas se possível, para dessa forma se realizar o sonho então acalentado nos corações de todos aqueles que tudo faziam para possuir instalações dignas, condizentes com o real valor do povo português.

 
Do desejo à concretização foi apenas o tempo que mediou entre. a recolha de fundos e a finalização das obras, que teve a dirigi-las o Sr.. José B. Henriques. Assim, no dia 12 de Novembro de 1949, foi inaugurada a nova sede, que ficou marcada na história como a primeira sede própria desta colectividade. 


Principiou desta forma um novo ciclo na história do clube no qual e durante os dois primeiros anos tudo decorreu às mil maravilhas, isto tudo dentro das limitações sua colectividades estão sujeitas, mas de novo o infortúnio bateu à sua porta, pela razão das principais e mais assíduas 

famílias dos membros da colectividade se terem mudado para a área do Northeast. 


Logicamente que este facto se fez notar no movimento do clube, quer em festas quer também nos dias de semana durante os quais os oito associados ali passavam umas horas de ócio. Entretanto, surge outro problema, este relacionado com a manutenção do prédio, já que se notava uma certa deterioração e não existiam recursos financeiros para a reparação que justificava. Desta maneira duas hipóteses se levantavam: vender o prédio ou perdê-lo por falta de recursos financeiros. Assim sendo, foi deliberado chamar todos os sócios e credores, a fim de se encontrar uma solução para este caso, que era uma verdadeira frustração para quem tanto tinha trabalhado na sua implantação e desenvolvimento sociocultural. 

 

Se tomarmos em consideração que nesta altura já não existia o Grupo Cénico, 
que tinha sido fundado em 1938 e se prolongou até ao ano de 1944, se tomarmos em consideração, ainda, que a própria orquestra do clube, fundada em 1936, já não exercia nenhuma actividade a este tempo, se a tudo isto referirmos que a própria equipa de futebol estava inactiva há bastante tempo e a Escola Marquês de Pombal não funcionava por falta de alunos, teremos de concluir que foi um golpe enorme nas pretensões dos iniciadores de tão nobre causa, que desta forma se viam metidos no que costumamos chamar camisa de onze varas. 


Mas como tudo na vida tem solução, ou quase tudo, este caso também se resolveu e de uma maneira que deu continuidade à existência do clube, com a decisão tomada da venda do prédio, para assim se adquirir uma casa mais pequena e esta, pela primeira vez, na área do Northeast, principalmente pelo motivo que já foi referido.

 
Na verdade, tudo isto foi conseguido através de uma comissão, à qual presidia 
o Sr. José B. Henriques, que, depois de várias diligências efectuadas, deu por findo o seu trabalho com a compra do edifício da nova sede, situado no número 1644 da Bridge Street, no ano de 1959. 

Assim se iniciou um novo período da sua existência. Mas, passados poucos anos, de novo se começou a notar dificuldades, já que, e valendo-nos dos arquivos do Consulado Português, no ano de 1960 encontravam-se registados apenas 80 portugueses, tendo o clube apenas umas três ou quatro dezenas de sócios, número insuficiente para que o clube pudesse sobreviver. Mas 

Foto tirada no dia da inauguração em 1949, Vendo-se da esquerda para a direita:
Serafim Tavares, mestre de cerimonias; Armando Soares, Presidente do Portuguese American Club de Bethlehem, Presidente do Sport Club Português de Newark; Comandante Belo discursando; dois indivíduos que não conhecemos, Floriano Henriques, Cônsul (nessa altura Encarregado do Consulado); e Vasco Jardim, do Luso-Americano.

Comandante Belo, Adido Naval junto da Embaixada de Portugal em Washington, que em representação do Embaixador de Portugal assistiu à inauguração da primeira Sede própria do PPC, no dia 12 de Novembro de 1949, conversando com o Cônsul José B. Henriques. Ao lado, parte da foto de Floriano Henriques.

teimosamente, com aprumo e dignidade, o velho Clube Português de Philadelphia mantinha as suas portas abertas, esperando com paciência por melhores dias. 


Entretanto, começam afluir novos emigrantes a estas paragens, abrindo-se deste modo novos horizontes para esta colectividade que, apesar de ter passado por tantas atribuições, ja nesta data tinha celebrado as suas bodas de prata. 

É precisamente o ano de 1967 que nos traz a primeira dezena de novos imigrantes, alfaiates, que ansiosos por darem continuidade aos seus costumes bem portugueses, procuraram o clube.  Esta segunda geração de portugueses emigrantes, numa arrancada fulgurante, vai substituir os "velhos" e gloriosos emigrantes do passado, e, lado a lado, começam a desenvolver todas as actividades que há alguns anos se 
encontravam paralisadas. Assim, o Philadelphia Portuguese Club volta a conhecer a azáfama, o movimento em si sentido noutros tempos áureos, com a reactivação do Grupo Cénico, a deleitar tudo e todos com os seus maravilhosos trabalhos, com o Rancho Folclórico. que transmitia a todos a esfuziante alegria dos cantares e dançares da terra portuguesa, com equipa de futebol, que brilhantemente passou a conquistar campeonatos e torneios, e como não podia deixar de ser, com festas bem à portuguesa e tão ao gosto do nosso povo. 


A breve trecho deu-se conta que a sede então existente já não oferecia o mínimo de condições para os seus associados, visto a colónia portuguesa estar a crescer num ritmo acelerado. Por tal motivo, adquiriu o clube, em 1973, um imóvel na Bridge Street no número 2620-30. 


Após esta compra e já com alguns projectos feitos para umas quantas modificações de que necessitava, que valha a verdade, nem com elas nos iria resolver certos problemas quanto ao futuro, como seja o salão principal, visto não ter as dimensões que garantissem a certeza de albergar as pessoas em certas festas - e daí o ter-se concluído que foi uma má compra - dizia-mos nós, surge à venda a actual sede. 
 
Dificuldades enormes se  depararam para a sua compra, visto não existir dinheiro em caixa, bem pelo contrario, existia, isso sim, uma divida de aproximadamente $70,000.00 (setenta mil dólares) do prédio comprado 2 meses antes, e depois de vários bancos contactados, chegou-se à triste conclusão que não obteríamos nenhum empréstimo, devido à dita dívida. 

Novos contactos foram feitos e desta vez com sucesso, na pessoa do Sr. António Marques, presidente da Lisbon Contractors, que emprestou $60.000.00 (sessenta mil dólares) pelo prazo de 6 meses. Posteriormente foi o distinto clínico de Landesdale, Sr. Dr. António Simões, que tomou conta desta dívida, para mais tarde passar para as mãos do Sr. Cônsul José Bernardino Henriques, mas já reduzida a sensivelmente um terço. 


Assim foi comprada a sede da Mentor Street, que foi inaugurada com toda a pompa em 9 de Setembro de 1973.

 
Se por um lado novas perspectivas se deparavam a todos aqueles que queriam continuar a obra encetada pelos sempre lembrados fundadores, por outro, vivia-se num clima e sentido de responsabilidade enorme, já que a dívida do clube orçava na média dos $160.0()0.00 (cento e sessenta mil dólares), pois convém dizer que o imóvel da Bridge Street, o qual não chegou tão-pouco a ser utilizado, só foi vendido 
no ano de 1976. 


Apesar de todos estes encargos, que eram uma constante preocupação, não só para aqueles que tinham em suas mãos a responsabilidade de dirigir os destinos da colectividade, como também para os próprios sócios, o certo e que cada dia que passava, menor era a dívida existente. 
No caso desta, convém referir que nem só os atrás citados senhores foram credores do clube, pois dezenas de sócios também o eram, devido aos empréstimos que fizeram para a amortização da mesma, aquando do pagamento ao Sr. António Marques. 


Para que fosse possível o abaixamento da famigerada divida, muito contribuiu a constante assiduidade de todos os seus membros, quer em festas, quer nos dias normais da semana, o zelo e incansável trabalho de todas as direcções que pelo clube passaram, a entrega total à causa clubista da secção de Teatro, Secção Desportiva, Secção do Rancho, Secção Escolar, Comissão de Bar, Comissão de Festas, Senhoras Auxfliares, Grupo "Os Morcegos" e ainda de todos aqueles que gratuitamente de uma forma ou de outra ajudaram o Clube. A supracitado dívida foi liquidada em 1982.

 

Esta boa nova trouxe consigo, como é de calcular. uma nova força anímica, que se transmitiu à direcção seguinte, na forma de quase uma total remodelação do interior do clube, que incidiu sobretudo no salão de festas, palco incluído. Uma obra digna dos mais rasgados elogios, que dotou a sede de instalações mais vistosas e funcionais, já mais condizentes com as pretensoes dos associados. 


Caso curioso, que nem o será assim tanto, na medida em que a união faz a força e a perseverança e trabalho dão sempre os seus frutos, de clube endividado, passou a clube desafogado e investidor. Na verdade, valendo-se da ajuda sempre indispensável dos seus membros, foi no referido ano de 1983 que o clube adquiriu um prédio de 11 apartamentos, localizado na Mentor Street, no número 228, mesmo defronte 
da sede, pela importância de $52.000.00. 


Devido à acção desenvolvida pela colectividade, o Governador do Estado da Pennsylvania, Dick Thornburg, decretou, no ano de 1983, a Semana de Portugal, no Estado da Pennsylvania. Do Mayor da cidade de Philadelphia e do Congressista do Estado tem esta colectividade recebido os mais altos elogios, com certificados de mérito a atestar a utilidade do associativismo ao serviço dos emigrantes Portugueses e Luso-Americanos no contexto das Comunidades de Pennsylvania. 


Por todas estas notas apresentadas, julgamos não desmerecer a chamada segunda geração de todo aquele trabalho desenvolvido pelos heróicos fundadores de 1935.  

Muita gente idónea e com voto na matéria considera esta agremiação uma agremiação de élite e não é por acaso que isto acontece. As provas são irrefutáveis e apesar de ser muito difícil encontrar um campo onde não existam abrolhos, mesmo assim consideramos possuir o clube uma seara fértil.

 
É pois, ano após ano, de alto significado a data que em 1985 se celebrou (50 Anos), pois nela se inserou toda uma mística de trabalho e sacrifício, de elevação humana e patriótica, de convívio social vivido no mais são portuguesismo, de desejos e esperanças que se vão tornando realidade, de vivas forças que apontando para o mesmo ideal, o vão logrando atingir pouco a pouco, e, ainda, de uma enorme saudade da 
nossa pátria.

 
Todos estes predicados, que formam a tal mística de que nos falam as quatro paredes do Philadelphia Portuguese Club, não são mais do que o Portuguesismo por todos sentido e aqui posto em prática das mais variadas formas. E, assim, pensamos, através da real valia dos factos, pode esta colectividade continuar a considerar-se uma parte fundamental do preservatismo, da incrementação e expansionismo da nossa riqueza cultural. 

1.2 Homenagens